traga meu setembro agosto

obvious2

traga meu setembro agosto

o tempo é mais que um verbo conjugado
o tempo é a gana pelo nada
é a fada e a nana
é uma preciosa e viçosa casca de banana amarela
guardada na gaveta e escurecida
no silêncio do sono daquela noite na infância

o tempo é a surpresa ridícula dessa morte
e o acordar da ignorância
é uma casca de banana velha
e a tristeza abissal e abjeta que ela exala
o tempo é essa correnteza fundamental
e sem meta

eutro

nós viajamos muito, aventureiras
levadas por eira e ventura
perseguidas e preguiçosas
e assim seguiremos
ao gosto de agosto
ao gosto de tudo mas nāo do divino
ao gosto da vida intensa
da fascinação pela nossa figura
clonada
muita
perigosa

mas ela
enquanto novelas e chuvas se seguem
ela e seus muitos frascos escritos ‘não use’
seu olhar de sofá
seu dia desabado na rua heitor penteado
ela fica
com um sorriso espalhado frente à catedral
ali perto da praça metropolitana
vendo a vida de verdade na tv
ela a grande conhecedora do lar
da manipulação das dores
dos cheiros fora da hora
fora de mão
ela fica

a corrente das águas, que prende
pesada, suja, turva
meio que lava e leva
mas ela
com seus 30 anos de terreno fora da vila
fora de mão
fora da hora
ela fica

oil and spray paint on material on wood, 80x110cm, 2010

horse of souls

 

obvious47

do right, do good
very righteous, uncontrollable
in this proud moment
in the attacks with cutlery
face to face (big disaster)
with the crisis
the toxic culture
the ‘pay today and tuesday!’
with luxury degenerating in need
with the role of rude cole in the deaths
and embrace the truth, dude:

there are more urgent things to deal with
than that