perdura

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eu me deixo levar pelo mar
me deixo rolar
eu me deixo trazer pela maré
me deixo ralé

o que é que se perde, que já não foi perdido? se tudo adquirido não reside no eu, por que chorar pelo que se perdeu? um fato da vida é essa constante conquista de sentimentos em seguida desprezados (e nossa consequente, incansável derrota).

a natureza humana se devasta, a cada ano os odeios e te amos nossa paisagem – montanhas de detritos se acumulando, tudo arrasado e arrastado por máquinas novas, lindas, caras, rodando a sangue, brilhantes ao sol e ao suor e à ruína, e nós crescendo, exímios no prejuízo (mesmo se o que perdemos foi demais pelo menos por um momento fugaz).

nosso lamento anda de rastos, melindrado, um extrato de grito perfeito e esquecido apesar de extremamente sentido por um segundo – que perder só dói uma dor de sonho, uma dor suada, silenciosa e silenciada, quente demais debaixo desse cobertor infantil, ensurdecedor (o buraco é fundo acabou-se o mundo).

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